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A mostrar mensagens com a etiqueta Vidro

Acabamento de bordos em peças de cristalaria

            Na indústria vidreira, sector da cristalaria, as peças cortadas ou prensadas ficam com os bordos irregulares, necessitando, por isso, de acabamento posterior.        Em meados do século passado, conforme o tipo de peça a acabar, este acabamento era feito em uma ou mais operações, englobando os processos de roçagem, rebordagem e queimo.            O processo de roçagem é feito num engenho de roçar constituído por uma mó de pedra ou ferro fundido, disposta horizontalmente, montada numa estrutura troncocónica e accionada por um veio que a faz rodar.             Sobre a mó cai um fio de água com areia fina ou abrasivos.          Depois encostam-se os bordos das peças à mó para serem desgastados até à uniformização.          Para restituição do brilho perdido com este processo, as peças precisam de passar depoi...

Identificação do fabricante em vasilhame de vidro destinado a produtos vínicos

            O Ministério da Economia, sendo ministro Rafael Duque, publicou em Diário do Governo, a 14 de Julho de 1944, um conjunto de normas a que devia obedecer o fabrico de recipientes de vidro e as sanções aplicáveis aos fabricantes que infringissem essas normas e outras já publicadas anteriormente.             Para além das normas a que estava condicionado o fabrico deste tipo de produtos em vidro e das sanções a que estariam sujeitos os fabricantes que as infringissem, este Despacho, do Gabinete do Ministro, determinava no seu primeiro parágrafo que:             “Todo o vasilhame de vidro destinado ao engarrafamento de produtos vínicos deve ser marcado de maneira e em lugar bem visível com uma ou mais letras que identifiquem o respectivo fabricante, adoptando-se desde já as marcas existentes para as actuais fábricas legalmente autorizadas: RL - Barbosa & Almeida, Limitada F...

Ajustagem de rolhas e frascos de vidro

            Na Nacional Fábrica de Vidros, depois FEIS - Fábrica Escola Irmãos Stephens, nos anos 40 do passado século, a operação de ajustamento de rolhas e frascos de vidro era feita num engenho onde era fixada a rolha que se pretendia ajustar ao frasco ou outro recipiente. O trabalhador segurava com uma das mãos o recipiente e ia apontando a sua “boca” à rolha, que rodava a grande velocidade, pressionando-o para encaixar. Com a outra mão ia colocando areia ou outro abrasivo, o qual, com a rotação da rolha, ia desgastando simultaneamente as duas peças até haver um perfeito ajuste.             Depois deste ajuste inicial procedia-se a um ajuste mais fino, recorrendo-se a um abrasivo muito fino. Esta operação deixava o interior do gargalo dos frascos fosco, o que obrigava o “rolhista” ao seu polimento. Isto conseguia-se colocando no engenho, no lugar onde estava a rolha, uma peça cónica de madeira, revestida de estopa (linh...

Justino de Magalhães – gravador de vidro, à roda

            A operação de gravar vidro, à roda, caracteriza-se pelo desgaste da superfície do vidro por acção de discos (rodas) de aço, cobre ou diamante num engenho muito semelhante ao usado na lapidação.             Os discos são de dimensões reduzidas, tendo apenas alguns milímetros de diâmetro e uma espessura muito fina.             Para motivos complexos, o gravador, com o disco em movimento, segue os traços do desenho previamente feito na peça. Para os motivos mais simples ou inscrições de texto, o gravador orienta-se por um desenho colocado a seu lado ou cria motivos próprios, fruto da sua imaginação e habilidade.             Justino Marques de Magalhães, gravador na extinta Fábrica-Escola Irmãos Stephens, era considerado como um dos maiores gravadores de vidro, à roda, a nível mundial.             «Nasceu na Marinha Grand...

O monumento de homenagem a Guilherme Stephens

            A 24 de Agosto de 1941, a Marinha Grande inaugurava o monumento de homenagem a Guilherme Stephens. A cerimónia teve lugar ao início da tarde com o discurso do Director da Nacional Fábrica de Vidros, Dr. Acácio Calazans Duarte, ao qual se seguiram vários outros oradores, enaltecendo todos eles a grande obra dos Stephens na Marinha Grande. De seguida foi inaugurado no átrio do novo Teatro Stephens um medalhão de homenagem a Joaquim Carvalho de Oliveira, que foi mestre lapidário e comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande.              À noite foi inaugurado o novo Teatro Stephens, depois de reconstruido por, na década de 1930, ter sido atingido por um incêndio.             Estes eventos tiveram direito a notícia no jornal “O Mensageiro” de 30 de Agosto de 1941. In: “O Mensageiro” de 30 de Agosto de 1941 - (excerto do publicado) Calazans Duarte disc...

O vidraceiro

            Em 1941, sobre a dureza do trabalho a que estavam sujeitos os vidraceiros durante o processo de fabrico manual de vidraça , principalmente durante a execução dos grandes cilindros, o Eng.º Arala Pinto , no segundo volume do seu livro “Pinhal do Rei”, dizia:             “A todos os operários se sobreleva o oficial vidraceiro, o mais bem pago, como veremos adiante e o mais acusado de tal crime.             É necessário fazer Justiça a esses homens, pugnar pela verdade (...).             Só poderá fazer justiça quem alguma vez, com olhos de ver, tenha assistido ao fabrico da vidraça.             Espectáculo ciclópico para não lhe chamar infernal. Ambiente abafado, calor insuportável junto dos fornos o...

Fabrico manual de vidraça

            A chapa plana de vidro, designada por vidraça, terá sido o primeiro produto fabricado por Guilherme Stephens quando , em 1769, reactivou a Real Fábrica dos Vidros na Marinha Grande .             O primitivo processo de fabrico de vidraça consistia em produzir grandes cilindros em vidro, com cerca de 2 metros de altura e 30 a 40 cm de diâmetro e entre 4 a 8 mm de espessura. Estes cilindros eram depois golpeados no sentido longitudinal e posteriormente planificados.             A par deste processo, já no século XX, produziu-se na Marinha Grande, ainda manualmente, a chamada vidraça prensada. Simplificando, este processo consistia no vazamento da massa vítrea, depois de colhida no forno por enormes colheres, sobre uma mesa lisa de material refractário, onde, de seguida, com o vidro ainda quente, se fazi...

O Cano da Água dos Stephens

            O lugar de Casal de Malta, na Marinha Grande, teve grande desenvolvimento industrial a partir do Século XVIII quando Guilherme Stephens, por necessidade de água que abastecesse a sua Real Fábrica dos Vidros, por ali fez passar o “Cano da Água”.             Neste lugar, limitado a Norte pela estrada para Leiria, hoje avenida Vitor Galo, a Sul pela Linha do Caminho-de-Ferro do Oeste, a Oeste pela estrada para a Nazaré e a Este pela Avenida 1º de Maio, viriam a montar-se importantes indústrias: fábricas de vidro, cerâmicas, serrações de madeira e, mais recentemente, fábricas de moldes para plásticos.             Pelo Casal de Malta passaram também, ainda no Século XIX, a Linha do Caminho-de-Ferro Americano e a Linha do Caminho-de-Ferro do Oeste, e, já no Século XX, a Linha do Caminho-de-Ferro Florestal ( Comb...

Em 1890 - A Fábrica de Vidros da Marinha Grande

            Em 1890, “O Occidente – Revista Illustrada de Portugal e do Extrangeiro” publicava o seguinte artigo: In: O Occidente nº 403 de 1 de Março de 1890 © Hemeroteca Digital

Relato da visita real à Marinha Grande em 1788 - Philadelphia Stephens

            Depois ter visitado, muito rapidamente, na tarde de 17 de Outubro de 1786, a Real Fábrica dos Vidros na Marinha Grande, a Rainha D. Maria mostrou interesse em fazer uma visita mais demorada à Fábrica e à Marinha Grande.             Essa visita veio a acontecer em 30 de Junho de 1788 quando toda a Família Real se deslocou à Marinha Grande e aqui pernoitou por duas noites.            Para além de eventuais relatos da imprensa da época sobre esta visita, de que não quero falar por agora, existe o relato de Philadelphia Stephens, irmã de WIlliam Stephens  (por nós conhecido como Guilherme Stephens).             Este relato, desconhecido até há muito pouco tempo, foi encontrado por Jenifer Roberts num arquivo em Inglaterra quando pesquisava sobre a família S...

Ainda a restauração do Concelho da Marinha Grande

            A notícia publicada na “Ilustração Portuguesa”, um suplemento do jornal “O Século”, na sua edição de 17 de Abril de 1916, diz no seu primeiro parágrafo: “A restauração d´este concelho, que tão entusiasticamente foi festejada por aquele importante centro de indústria e de trabalho (…)”… Ora, após ter sido extinto em 1838, depois de inicialmente atribuído em 1836, o Concelho da Marinha Grande veio a ser restaurado apenas no Século XX em 19 de Março de 1917, tendo a nova Comissão Instaladora tomado posse a 26 do mesmo mês.             Sendo publicada em 1916, aparentemente contraditória, esta notícia creio referir-se mais concretamente à aprovação do projecto de restauração do concelho, do qual foi um dos principais impulsionadores o empresário Guilherme Pereira Roldão e conforme se pode ler no fim da mesma notícia.         ...