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Mensagens

Identificação do fabricante em vasilhame de vidro destinado a produtos vínicos

            O Ministério da Economia, sendo ministro Rafael Duque, publicou em Diário do Governo, a 14 de Julho de 1944, um conjunto de normas a que devia obedecer o fabrico de recipientes de vidro e as sanções aplicáveis aos fabricantes que infringissem essas normas e outras já publicadas anteriormente.             Para além das normas a que estava condicionado o fabrico deste tipo de produtos em vidro e das sanções a que estariam sujeitos os fabricantes que as infringissem, este Despacho, do Gabinete do Ministro, determinava no seu primeiro parágrafo que:             “Todo o vasilhame de vidro destinado ao engarrafamento de produtos vínicos deve ser marcado de maneira e em lugar bem visível com uma ou mais letras que identifiquem o respectivo fabricante, adoptando-se desde já as marcas existentes para as actuais fábricas legalmente autorizadas: RL - Barbosa & Almeida, Limitada F...

Ajustagem de rolhas e frascos de vidro

            Na Nacional Fábrica de Vidros, depois FEIS - Fábrica Escola Irmãos Stephens, nos anos 40 do passado século, a operação de ajustamento de rolhas e frascos de vidro era feita num engenho onde era fixada a rolha que se pretendia ajustar ao frasco ou outro recipiente. O trabalhador segurava com uma das mãos o recipiente e ia apontando a sua “boca” à rolha, que rodava a grande velocidade, pressionando-o para encaixar. Com a outra mão ia colocando areia ou outro abrasivo, o qual, com a rotação da rolha, ia desgastando simultaneamente as duas peças até haver um perfeito ajuste.             Depois deste ajuste inicial procedia-se a um ajuste mais fino, recorrendo-se a um abrasivo muito fino. Esta operação deixava o interior do gargalo dos frascos fosco, o que obrigava o “rolhista” ao seu polimento. Isto conseguia-se colocando no engenho, no lugar onde estava a rolha, uma peça cónica de madeira, revestida de estopa (linh...

A inauguração do Teatro Stephens - 1941

            Foi inaugurado em 24 de Agosto de 1941, depois de, em 1935, ter sido demolido o velho Teatro Stephens. Este, por sua vez, tinha substituído o antigo Teatro da Fábrica (de vidros) criado pelos Stephens com o intuito de que os próprios operários ali representassem peças, se instruíssem e deleitassem ao mesmo tempo, fazendo entrar neste divertimento, oficiais, ajudantes e outros trabalhadores da fábrica. Ali foram também chamados mestres de música e dança para ensinar e ocupar os operários nas suas horas vagas.                         A inauguração do, então renovado, Teatro Stephens, ocorrida no referido dia 24 de Agosto de 1941, à noite, foi precedida da inauguração de “ O monumento de homenagem a Guilherme Stephens ”. Estas ocorrências foram objecto de notícia no jornal “O Mensageiro” de 30 de Agosto de 1941. In: “O Mensageiro” de 30 de Agosto de 1941 (excerto do publ...

Justino de Magalhães – gravador de vidro, à roda

            A operação de gravar vidro, à roda, caracteriza-se pelo desgaste da superfície do vidro por acção de discos (rodas) de aço, cobre ou diamante num engenho muito semelhante ao usado na lapidação.             Os discos são de dimensões reduzidas, tendo apenas alguns milímetros de diâmetro e uma espessura muito fina.             Para motivos complexos, o gravador, com o disco em movimento, segue os traços do desenho previamente feito na peça. Para os motivos mais simples ou inscrições de texto, o gravador orienta-se por um desenho colocado a seu lado ou cria motivos próprios, fruto da sua imaginação e habilidade.             Justino Marques de Magalhães, gravador na extinta Fábrica-Escola Irmãos Stephens, era considerado como um dos maiores gravadores de vidro, à roda, a nível mundial.             «Nasceu na Marinha Grand...

A Casa do Açor em S. Pedro de Moel

            “A mais emblemática casa da Ladeira é a Casa do Açor, propriedade do Dr. Aníbal Bettencourt, feita totalmente em madeira e de construção que deve datar de 1914, de um estilo e beleza singulares.             De entre as suas várias particularidades há uma outra a assinalar: tinha um moinho de vento. Uma imponente estrutura metálica, que fornecia água para os habitantes da casa, além de servir para rega das hortências, tão apreciadas pelo Dr. Nicolau Bettencourt. Permitia também saber a direcção do vento, e a partir desse conhecimento decidir se o dia iria ser passado na praia ou se a opção era o pinhal para resguardo da nortada.             À direita [abaixo], mostramos uma impressão da Casa do Açor, num postal mandado fazer pelo próprio Aníbal Bettencourt, como expedido pelo mesmo em Outubro de 1916, onde orgulhosamente mostra a sua casa a partir de uma gravura a tinta da china qu...

“Pataias, terra de cal”

            Joaquim Rodrigues Rato é considerado o primeiro escritor de Pataias a lançar uma obra sua.            Desconhecendo, em grande parte, confesso, a obra e a vida de J. Rodrigues Rato, como dizer alguma coisa sobre ele? Um “(…) Pobre e humilde pastor (…)”, é como o próprio se intitula, em 1939, na sua primeira obra: “Lucinda com o Leão na Floresta”.             Também o autor do prefácio desta obra, que desconheço, pois não assina, diz a dada altura: “O autor é um pastor rude e inculto com força de vontade e ousadia para vir defrontar o público na sua primeira publicação que agora apresenta.             Quem o vir nem sequer imagina que seja capaz de escrever coisa que se veja.             Não é, porém, o trabalho literário mas a imaginação que temos a apreciar neste homem, com inclinação para as letras.”   ...

O Retábulo Esquecido

            Na Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Peniche, distribuído à entrada, encontrei um pequeno mas interessante folheto que nos fala do naufrágio de um barco holandês em finais do século XVI ao largo de Peniche, junto ao arquipélago das Berlengas.             Viajava nesse barco Henri Cornelissen Vroom, famoso pintor holandês, que, com ele, entre os seus quadros, traria também um antigo retábulo flamengo do século XV.             A existência desse retábulo e o que ele representa, segundo o relato (transcrito no folheto), em 1688, de um frade do extinto Convento do Bom Jesus do Abalo, de Peniche, terá dado o nome ao próprio Convento e à primitiva Ermida do Bom Jesus do Abalo (depois Capela da Senhora do Abalo), antigos monumentos de Peniche, já desaparecidos.             O folheto transcreve também “a tradução de um excerto da versão francesa por H...